Segurança no içamento: erros comuns que reduzem a vida útil dos cabos de aço
As operações de içamento exigem precisão, controle e respeito às limitações dos equipamentos. Quando práticas inadequadas entram em cena, a segurança na movimentação de cargas é diretamente impactada, e o resultado costuma aparecer antes do esperado: desgaste acelerado, falhas prematuras e aumento do risco operacional.
Mais do que suportar peso, o cabo de aço responde a fatores dinâmicos, como aceleração, atrito e variação de carga. Ignorar esses aspectos reduz drasticamente sua vida útil. A seguir, estão alguns dos erros mais comuns que ocorrem no dia a dia e que podem ser evitados com boas práticas e atenção técnica.
As forças dinâmicas no içamento: o impacto das acelerações bruscas
Antes de analisar o comportamento do cabo, é importante entender como a dinâmica de carga interfere diretamente na sua integridade.
A chamada carga dinâmica, diferente da carga estática, envolve variações rápidas de força que acontecem durante acelerações ou desacelerações.
O efeito das forças dinâmicas no cabo de aço
Quando há aceleração ou desaceleração bruscas durante o içamento, ocorrem forças dinâmicas que aumentam as tensões na linga e no cabo. Esses picos de tensão podem ultrapassar a carga máxima de trabalho calculada para condições estáticas, mesmo que a massa da carga esteja dentro do limite previsto.
Nesse cenário, os arames do cabo ficam sujeitos a carregamentos repetitivos que aceleram o processo de fadiga do material. A consequência é o surgimento progressivo de arames partidos e, em casos mais críticos, a ruptura do cabo. Esse tipo de falha não está relacionado apenas à magnitude da carga, mas ao modo como ela é aplicada.
Boas práticas para evitar sobrecargas dinâmicas
A operação deve ser conduzida gradualmente, respeitando a velocidade de partida e de parada. Movimentos suaves reduzem as forças dinâmicas e preservam a estrutura do cabo.
Além disso, o uso correto de sistemas de controle, como inversores de frequência, contribui para manter a estabilidade durante o içamento ao permitir a aceleração e desaceleração progressivas do equipamento.
Ângulos críticos e cantos vivos: o uso correto de protetores
Quando o cabo entra em contato com superfícies metálicas, o risco de dano aumenta consideravelmente. O atrito em cantos vivos é um dos fatores mais comuns de desgaste prematuro.
O impacto do ângulo de içamento
A segurança na movimentação de cargas depende diretamente do ângulo formado entre as pernas da linga e a vertical. Quanto maior for esse ângulo em relação à vertical, maior a tensão aplicada a cada ramal. Esse fator é frequentemente negligenciado, mas influencia diretamente a carga máxima de trabalho do conjunto.
A ABNT NBR 13541-2:2015 recomenda que o ângulo entre as pernas da linga e a vertical esteja entre 15° e 60°, sendo que ângulos superiores a 60° com a vertical não são permitidos para uso de lingas de múltiplas pernas. Quando esse limite não é respeitado, o sistema opera próximo ou acima da carga máxima de trabalho para a qual a linga foi dimensionada.
Proteção contra abrasão e corte
A utilização de calhas ou outros acessórios para proteger os cantos vivos é uma medida simples e altamente eficaz. Conforme a ABNT NBR 13541-2:2015, a linga não deve ser dobrada sobre cantos vivos que possam danificá-la ou reduzir sua resistência — considera-se canto vivo qualquer raio de curvatura menor que o diâmetro do cabo. Quando o cabo é dobrado sobre seu próprio diâmetro, ele pode perder até 50% da sua resistência nominal.
O uso de calços e materiais de proteção também ajuda a distribuir melhor a carga e reduzir pontos de concentração de tensão, contribuindo para a preservação da integridade do cabo ao longo do tempo.

Desenrolamento incorreto: evitando a formação de “nós” (loops)
O momento de retirar o cabo do carretel pode parecer simples, mas é uma etapa crítica. Um erro nessa fase pode comprometer toda a estrutura do cabo antes mesmo do primeiro uso.
Como surgem as deformações permanentes
Quando o cabo é desenrolado inadequadamente, ele tende a formar loops, conhecidos como “nós”. Essas deformações alteram a geometria original e criam pontos de tensão permanentes.
A partir desse ponto, o cabo perde parte da sua capacidade de carga e passa a apresentar comportamento irregular durante a operação. Esse tipo de dano é irreversível e, na maioria dos casos, exige a substituição do componente.
Técnica correta de desenrolamento
O ideal é manter o carretel em um suporte giratório, permitindo que o cabo se desenrole de forma controlada. O operador deve evitar puxar o cabo lateralmente ou girar o carretel manualmente em condições que causem torções.
Outra recomendação importante é manter o alinhamento do cabo durante o desenrolamento, evitando cruzamentos entre as camadas. Esse cuidado simples reduz significativamente o risco de deformações.

O papel do sinaleiro/amarrador de cargas e do operador na preservação do ativo
A operação de içamento envolve mais do que equipamentos. A comunicação entre operador e sinaleiro/amarrador de cargas é um dos pilares da segurança na movimentação de cargas, garantindo que as manobras ocorram de forma controlada e previsível.
Comunicação eficiente durante a operação
O sinaleiro/amarrador de cargas tem a função de orientar o operador, garantindo que a carga seja movimentada dentro dos parâmetros seguros. Conforme a NR-18, na impossibilidade de o operador visualizar a carga em todo o seu percurso, a operação deve ser orientada por, no mínimo, um sinaleiro/amarrador de cargas, e a comunicação entre eles deve ser efetuada por sistema de comunicação eficiente. Falhas nessa comunicação aumentam as chances de movimentos bruscos, desalinhamento e sobrecarga.
Esses fatores podem forçar o cabo contra as laterais das polias, gerando desgaste irregular por abrasão e comprometendo a integridade dos arames externos. A NR-18 também veda expressamente a movimentação de cargas em ações de arraste ou com içamento inclinado em relação à vertical, práticas que agravam o desgaste e impõem esforços indevidos ao cabo.
Preservação do cabo durante o uso
O operador deve estar atento às condições de operação, respeitando a carga máxima de trabalho e evitando movimentos que gerem esforços laterais sobre o cabo. O uso correto das polias, aliado à orientação adequada do sinaleiro/amarrador de cargas, contribui para distribuir uniformemente as tensões e reduzir o desgaste por fricção nas ranhuras dos tambores e polias.
A integração entre equipe e equipamento é essencial. Quando todos os envolvidos compreendem os riscos e seguem os procedimentos corretos, a vida útil do cabo aumenta e a operação se torna mais segura.
Conclusão
A preservação dos cabos de aço está diretamente ligada à forma como eles são utilizados no dia a dia. Erros simples, muitas vezes recorrentes na operação, têm impacto direto na durabilidade e na segurança do sistema.
A segurança na movimentação de cargas depende de atenção aos detalhes, desde o manuseio até a operação em campo.
Evitar acelerações bruscas, proteger o cabo contra quinas, realizar o desenrolamento corretamente e manter uma comunicação eficiente são práticas que fazem diferença real na rotina industrial.
Quando esses cuidados são incorporados ao processo, é possível reduzir substituições prematuras, evitar paradas não planejadas e aumentar a confiabilidade dos sistemas de içamento.
Se o objetivo é aprofundar o conhecimento e melhorar a performance das operações, vale buscar apoio técnico especializado. Falar com um especialista da Acro Cabos de Aço ajuda a identificar pontos de melhoria, selecionar os equipamentos corretos e estruturar práticas mais seguras e eficientes para o seu processo de movimentação de cargas.
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