Como escolher o modelo adequado de manilha reta de acordo com as normas aplicáveis?
A manilha reta, também conhecida como manilha tipo D, é um acessório de conexão utilizado em operações de movimentação e elevação de cargas. Ela é indicada para aplicações em que a tração ocorre em linha com o eixo do corpo da manilha. Nessas condições, faz a ligação entre cabos de aço, correntes, lingas e outros componentes do sistema de içamento.
A escolha do modelo não deve se basear apenas no tamanho da peça. É preciso verificar se as características da manilha são compatíveis com a operação:
- a forma de aplicação da carga e a direção dos esforços;
- a carga máxima de trabalho (CMT) necessária;
- o tipo de pino (rosqueado ou com porca e contrapino);
- o material e o grau de resistência;
- o fator de segurança;
- a norma de fabricação do modelo, como a ABNT NBR 13545, a EN 13889 ou a ASME B30.26.
A manilha reta não é indicada para receber esforços laterais nem para unir várias pernas de linga em ângulo. Nesses casos, deve-se utilizar a manilha curva, respeitando as reduções de CMT definidas pelo fabricante. Em qualquer aplicação, a peça escolhida deve trazer marcada de forma legível a CMT, a identificação do fabricante e o grau de resistência, e o pino deve ser original e compatível com o corpo.
Quando utilizar uma manilha reta?
A manilha reta é indicada quando a carga atua alinhada ao eixo do corpo do acessório. Nessa condição, o esforço é transmitido entre o pino e o fundo do corpo sem submeter a peça a carregamentos laterais.
Esse tipo de manilha pode ser utilizado como elemento de conexão em sistemas de içamento, ancoragem e movimentação de cargas, em aplicações industriais, navais, de mineração e offshore. Para as aplicações offshore, é preciso verificar se o modelo atende às exigências específicas desse setor, como as da DNV.
Antes de definir o modelo, é necessário verificar como a carga será aplicada. Se a conexão tiver que receber esforços em diferentes direções ou unir mais de uma perna de linga, deve-se utilizar a manilha curva, respeitando as reduções de carga máxima de trabalho (CMT) definidas pelo fabricante.
Manilha reta ou curva: qual escolher?
A diferença entre os dois modelos está principalmente na direção dos esforços que a conexão precisa receber.
- Manilha reta: indicada para aplicações em que a tração ocorre em linha com o eixo do corpo do acessório.
- Manilha curva: indicada quando a conexão precisa receber mais de uma perna de linga ou esforços em direções diferentes. Seu corpo mais aberto acomoda essas configurações, mas a CMT deve ser reduzida conforme o ângulo, seguindo as orientações do fabricante.
Usar uma manilha reta com carga lateral ou em ângulo reduz sua carga máxima de trabalho (CMT) e compromete a segurança da operação. Por isso, a geometria da peça precisa ser compatível com a configuração do sistema de movimentação, e qualquer carregamento fora do eixo deve respeitar os limites informados pelo fabricante.
Quais características devem ser consideradas na escolha?
Depois de definir que a aplicação exige uma manilha reta, é preciso especificar o modelo de acordo com as condições de trabalho.
Carga máxima de trabalho
A carga máxima de trabalho (CMT), ou WLL (Working Load Limit), deve ser igual ou superior à carga prevista para a operação, considerando também os efeitos de ângulo e de carregamento dinâmico. A linha Acro oferece modelos com CMT diferentes para uma mesma bitola, portanto o tamanho da manilha não deve ser usado isoladamente como critério de seleção. A CMT deve estar marcada de forma legível na peça.
Fator de segurança
O fator de segurança varia conforme o modelo e a norma de fabricação. A Manilha Reta G4153 e a Green Pin Reta de Pesca SQ G4151, por exemplo, apresentam fator de segurança de 6:1, enquanto a Manilha Reta Padrão D e a versão em aço inoxidável apresentam fator de 4:1.
Material
O material também varia entre os modelos. A G4153 tem corpo e pino em aço liga grau 6, enquanto a Padrão D é produzida em aço carbono SAE 1045 forjado. Já a versão inoxidável é fabricada em aço inoxidável forjado AISI 304 ou AISI 316.
Ambiente de operação
A exposição à umidade, à salinidade e a agentes corrosivos influencia a escolha do material e do acabamento superficial. Para ambientes mais agressivos, a Acro também disponibiliza modelos galvanizados e em aço inoxidável.
Tipo de pino
O sistema de fechamento deve ser compatível com a aplicação. Conforme o modelo, a manilha pode ter pino rosqueado ou pino com porca e contrapino. O pino rosqueado deve ser apertado até o encosto completo do colar no corpo. Para instalações permanentes ou de longa duração, ou quando a carga puder fazer o pino girar, deve-se utilizar o pino com porca e contrapino.
A linha de manilhas da Acro reúne diferentes modelos de manilha reta, cada um voltado a determinadas condições de aplicação.
A Manilha Reta G4153 é fabricada em aço liga grau 6, tem fator de segurança de 6:1 e CMT de 2 t a 85 t. O modelo atende às normas EN 13889, US Federal Specification RR-C-271, ASME B30.26 e DNV 2.7-1 (atual DNVGL-ST-E271).
A Manilha Reta Padrão D é produzida em aço carbono SAE 1045 forjado, tem fator de segurança de 4:1 e CMT de 250 kgf a 16.000 kgf, conforme a bitola.
A Manilha Green Pin Reta de Pesca SQ G4151 é fabricada em aço de alta resistência grau 6 e tem fator de segurança de 6:1. O modelo possui aprovação de tipo DNV conforme a DNVGL-ST-0378, aprovação ABS e marcação CE, além de atender à EN 13889 e aos requisitos de desempenho da US Federal Specification RR-C-271.
Para aplicações que exigem resistência à corrosão, a Acro oferece ainda a Manilha Reta Inoxidável, fabricada em aço inoxidável forjado AISI 304 ou AISI 316, com fator de segurança de 4:1.

E as normas: o que verificar antes de escolher?
As normas e especificações técnicas definem requisitos de fabricação, ensaio, marcação e desempenho dos acessórios para movimentação de cargas. A referência aplicável, porém, deve ser verificada para cada modelo, já que diferentes manilhas atendem a diferentes normas.
Na linha Acro, por exemplo, a G4153 atende às normas EN 13889, US Federal Specification RR-C-271, ASME B30.26 e DNV 2.7-1 (atual DNVGL-ST-E271). A Green Pin Reta de Pesca SQ G4151 também atende à EN 13889 e aos requisitos de desempenho da US Federal Specification RR-C-271, além de possuir aprovações específicas de sociedades classificadoras.
Por isso, a escolha não deve partir da tentativa de enquadrar todos os modelos em uma única norma. O mais importante é identificar o modelo, consultar sua especificação técnica e verificar se as características atendem aos requisitos da aplicação e às exigências do cliente ou do setor, como ocorre nas operações offshore. Também é necessário confirmar se a peça tem marcação de CMT, identificação do fabricante e rastreabilidade, e se é acompanhada do certificado do fabricante ou da declaração de conformidade, quando exigida.
Por que a capacidade não deve ser o único critério?
Uma manilha com carga máxima de trabalho (CMT) compatível com a carga ainda precisa ser adequada à configuração do sistema.
O dimensionamento envolve a relação entre a carga prevista, a geometria do acessório, o tipo de conexão e a direção dos esforços. Carregamentos laterais, ângulos entre pernas de linga e efeitos dinâmicos podem reduzir a capacidade efetiva da manilha. Também é necessário respeitar a marcação gravada na própria peça e os limites de carga indicados pelo fabricante. Além disso, as dimensões da manilha devem ser compatíveis com os componentes conectados: o olhal do cabo de aço, o elo da corrente ou a cinta devem se acomodar corretamente no corpo e no pino, sem forçar a peça.
Esse cuidado evita escolher um acessório apenas pelo tamanho ou pela CMT indicada, sem considerar as condições reais em que ele será utilizado.
O que conferir antes de utilizar a manilha reta?
Antes de cada operação, o acessório deve passar por inspeção visual para confirmar que está em condições adequadas de uso.
A manilha deve ser retirada de uso quando apresentar marcação ausente ou ilegível, deformação, abertura do corpo, trincas, desgaste ou corrosão excessivos, danos por calor, sinais de solda não autorizada, danos na rosca ou pino empenado, incompleto ou substituído por outro que não seja original. Pela ASME B30.26, uma redução de 10% em relação à dimensão original em qualquer ponto do corpo ou do pino também é critério de descarte. Além da inspeção antes do uso, a manilha deve passar por inspeções periódicas registradas, feitas por pessoa qualificada, em intervalos definidos conforme a frequência e a severidade do serviço.
A rastreabilidade é outro ponto essencial. A manilha deve trazer gravados a identificação do fabricante, a CMT e o código de rastreabilidade, permitindo relacionar a peça ao seu certificado e às suas características técnicas.

Como escolher a manilha reta adequada?
A escolha começa pela aplicação: primeiro, é necessário entender a direção dos esforços e definir se a geometria reta é realmente adequada.
Depois, entram na especificação a capacidade de trabalho, o fator de segurança, o material, as dimensões, o tipo de pino, o ambiente de operação e a norma ou especificação correspondente ao modelo.
A Acro Cabos trabalha com diferentes modelos de manilha reta, permitindo selecionar o acessório de acordo com as características da operação.
Se houver dúvida sobre dimensionamento ou aplicação, o suporte técnico da empresa pode auxiliar na especificação do modelo mais adequado..
