Tipos de moitão e cadernal: características, funcionamento e quando utilizar cada modelo
Moitões e cadernais se diferenciam principalmente pela quantidade de polias. O moitão possui uma única polia, e o cadernal possui duas ou mais (ABNT NBR 10014). Quanto mais polias o conjunto tem, maior o número de ramos de cabo que sustentam a carga e menor a força necessária para movimentá-la. Os dois também podem ser fornecidos com ou sem ferragem na orelha, ponto que permite fixar a extremidade do cabo no próprio equipamento.
Porém, não basta contar as polias para definir qual modelo utilizar. Também precisam ser considerados a relação entre o diâmetro da polia e o diâmetro do cabo, o tipo de cabo (aço ou fibra sintética), a compatibilidade do canal da polia com o cabo, a carga máxima útil (CMU) do equipamento e o ângulo entre os ramos do cabo, que altera a força que efetivamente atua sobre o moitão.
O que é um moitão e como ele funciona?
O moitão é um dispositivo formado por uma caixa dentro da qual trabalha uma única polia. Quando o conjunto possui duas ou mais polias, ele passa a ser chamado de cadernal (ABNT NBR 10014). O cabo de aço ou de fibra sintética passa pelo canal da polia, e a função do equipamento depende de como ele é instalado.
Um moitão fixo apenas muda a direção da força: a tração aplicada no cabo é igual ao peso da carga. Já um moitão ou cadernal móvel, preso à carga, divide o peso entre os ramos de cabo que o sustentam. Em teoria, a força necessária para içar a carga é o peso dividido pelo número de ramos. Na prática, o atrito em cada polia reduz esse ganho, e a força real fica um pouco acima do valor teórico.
Por essa razão, o moitão não deve ser analisado como um componente isolado. Seu desempenho e sua segurança dependem do conjunto: o cabo e sua compatibilidade com o canal da polia, a ferragem da cabeça (gancho, olhal ou manilha), o ponto de ancoragem e o ângulo entre os ramos do cabo, que altera a força que efetivamente atua sobre o moitão.
Quais são os principais tipos de moitão?
Nos sistemas de movimentação de cargas, os conjuntos mais comuns têm uma, duas ou três polias. Pela ABNT NBR 10014, o equipamento com uma polia é chamado de moitão, e o com duas ou mais é chamado de cadernal. Os dois podem ser fornecidos com ou sem ferragem na orelha, ponto oposto à cabeça que permite prender a extremidade do cabo no próprio equipamento. Cada configuração muda o número de ramos de cabo que sustentam a carga e, com isso, a força necessária para movimentá-la.
Moitão de uma polia
É a construção mais simples. Fixo, apenas muda a direção do cabo, o que é útil para desviar a linha de tração de um guincho ou de uma talha. Móvel e preso à carga, divide o peso entre dois ramos de cabo e reduz pela metade, em teoria, a força necessária para o içamento.
A seleção deve considerar a carga máxima útil (CMU) do moitão, o diâmetro do cabo e a compatibilidade do canal da polia com esse cabo. O modelo aberto lateralmente, conhecido como pasteca, permite instalar o cabo sem passar a ponta pela polia e é muito usado em desvios.
Moitão de duas polias (cadernal duplo)
O cadernal duplo permite montar sistemas com mais ramos de cabo e, portanto, com menor força de tração para a mesma carga. Combinado com outro moitão ou cadernal, pode formar sistemas de três ou quatro ramos, conforme a montagem e o uso da orelha para fixar a ponta do cabo.
É indicado quando a carga exige uma redução de força maior do que o moitão simples oferece, ou quando o guincho ou a talha disponível não tem capacidade de tração suficiente para trabalhar com menos ramos. Assim como no moitão de uma polia, a seleção deve considerar a CMU, o diâmetro do cabo e a compatibilidade do canal das polias.
Moitão de três polias (cadernal triplo)
O cadernal triplo permite montar sistemas com cinco, seis ou mais ramos de cabo, conforme a combinação com outro moitão ou cadernal e o uso da orelha para prender a ponta do cabo. Quanto mais ramos, menor a força de tração necessária para a mesma carga. Por isso, esse modelo é indicado para cargas pesadas movimentadas com guinchos ou talhas de menor capacidade de tração.
É importante não confundir redução de força com capacidade. O número de polias reduz a força na linha, mas não aumenta a carga máxima útil (CMU) do equipamento. A CMU é definida pelo fabricante a partir da resistência da caixa, das ferragens, do eixo e das polias, e deve estar marcada no corpo do equipamento (ABNT NBR 10014). Um cadernal triplo de 5 t, por exemplo, continua limitado a 5 t.
Também não convém escolher mais polias do que a operação exige. Cada ramo adicional aumenta o comprimento de cabo necessário, reduz a velocidade de içamento e acrescenta perdas por atrito e pontos de desgaste no cabo. A seleção deve considerar a carga a movimentar, a capacidade de tração do equipamento disponível, a CMU do cadernal, o diâmetro do cabo e o ângulo entre os ramos. Para cadernais com CMU acima de 20 t, a norma não permite polias de ferro fundido maleável.

O que muda entre os tipos de moitão?
A principal diferença está no número de polias, que define quantos ramos de corda ou cabo podem sustentar a carga. Mas outras características também mudam de um modelo para outro: o diâmetro das polias, a bitola de corda ou cabo compatível, a robustez da caixa e das ferragens e, consequentemente, a carga máxima útil (CMU).
Um exemplo do catálogo [Acro/fabricante]: para polias de 100 mm e corda de fibra de 3/4″, a CMU é de 900 kg no moitão de uma polia, 1.300 kg no cadernal de duas polias e 1.800 kg no de três polias. O aumento não acontece por causa do número de polias, e sim porque os modelos maiores são construídos com caixa, eixo e ferragens dimensionados para cargas mais altas.
O diâmetro da polia e a bitola da corda também alteram esses valores. Além disso, a capacidade do sistema montado nunca pode ser maior que a carga de trabalho da corda ou do cabo utilizado. Por isso, comparar modelos apenas pelo número de polias pode levar a uma escolha inadequada. A referência para a seleção é sempre a CMU marcada no equipamento e informada pelo fabricante.
Onde utilizar cada configuração de moitão?
Moitões e cadernais são acessórios usados em conjunto com guinchos, talhas, tirfor ou tração manual em operações como montagem industrial, manutenção de equipamentos, construção civil, puxamento de cabos e movimentação de cargas em embarcações. Eles não substituem o moitão de ponte rolante ou de guindaste, que faz parte do próprio equipamento e é projetado pelo fabricante dele.
Moitão de uma polia: indicado para mudar a direção do cabo, por exemplo para desviar a tração de um guincho até o ponto de içamento, e para sistemas simples de dois ramos. No modelo aberto lateralmente (pasteca), o cabo é instalado sem passar a ponta pela polia, o que agiliza a montagem em desvios.
Cadernal de duas polias: indicado quando é preciso reduzir a força de tração para cerca de um terço ou um quarto do peso da carga, por exemplo quando a carga é maior que a capacidade de tração da talha ou do guincho disponível.
Cadernal de três polias: indicado para cargas pesadas em que o equipamento de tração tem capacidade bem menor que o peso a movimentar. Em compensação, o sistema exige mais cabo e tem içamento mais lento.
Em todos os casos, a seleção deve considerar a carga máxima útil (CMU) marcada no equipamento, a capacidade de tração do guincho ou da talha, a bitola e o tipo do cabo ou corda, a compatibilidade do canal da polia e o ângulo entre os ramos, que altera a força real sobre o moitão. Na dúvida, a escolha deve ser validada pelo fabricante ou por um profissional qualificado.
Quais configurações fazem parte da linha de moitões da Acro Cabos?
A Acro Cabos trabalha com moitões de uma, duas e três roldanas, em diferentes combinações de diâmetro da roldana e diâmetro da corda.
A tabela técnica da linha permite comparar diretamente as capacidades indicadas para cada combinação:
| Diâmetro externo da roldana | Diâmetro da corda | 1 roldana | 2 roldanas | 3 roldanas |
| 45 mm | 3/8″ | 250 kgf | 520 kgf | 650 kgf |
| 60 mm | 1/2″ | 520 kgf | 700 kgf | 970 kgf |
| 80 mm | 5/8″ | 650 kgf | 800 kgf | 1.200 kgf |
| 100 mm | 3/4″ | 900 kgf | 1.300 kgf | 1.800 kgf |
| 120 mm | 1″ | 1.300 kgf | 2.300 kgf | 2.800 kgf |
| 150 mm | 1.1/8″ | 1.900 kgf | 3.800 kgf | 5.000 kgf |
Os valores ajudam a visualizar uma característica importante: para o mesmo diâmetro de roldana e a mesma bitola de corda, as capacidades indicadas aumentam conforme a quantidade de roldanas passa de uma para duas e três.
A tabela também mostra que os conjuntos disponíveis abrangem diferentes relações entre tamanho da roldana, diâmetro da corda e capacidade no gancho.
Tal combinação é mais relevante para a seleção do que analisar cada característica separadamente.

O que considerar antes de escolher um moitão?
A quantidade de polias é apenas um dos critérios. Antes de definir o modelo, analise os pontos abaixo em conjunto:
- CARGA DA OPERAÇÃO: comece pelo peso real da carga e pelas condições de movimentação. Evite situações com risco de impacto ou tranco.
- ÂNGULO ENTRE OS RAMOS: a força sobre o moitão depende do ângulo entre os ramos do cabo. Com os ramos paralelos, o moitão recebe o dobro da tração aplicada na linha.
- QUANTIDADE DE POLIAS: defina quantos ramos de cabo são necessários para que a força de tração fique dentro da capacidade do guincho, da talha ou do tirfor disponível.
- CARGA MÁXIMA ÚTIL (CMU): confira a CMU marcada no equipamento. Ela deve ser maior ou igual à força real que atuará sobre o moitão. A capacidade do sistema também fica limitada pela carga de trabalho do cabo ou da corda.
- COMPATIBILIDADE ENTRE POLIA E CABO: para cabo de aço, o diâmetro da polia deve ser no mínimo 6 vezes o diâmetro do cabo, e o canal deve ser de 5% a 10% maior que o diâmetro nominal do cabo. Para corda de fibra, siga a recomendação do fabricante.
- FERRAGENS: escolha a ferragem da cabeça (gancho com trava, olhal, manilha ou giratória) conforme o ponto de fixação, e verifique se a operação exige ferragem na orelha para prender a ponta do cabo.
- MARCAÇÃO E CERTIFICADO: o moitão deve trazer marcados a CMU, a identificação do fabricante e a data do ensaio. Exija o certificado de ensaio de carga conforme a ABNT NBR 10015.
- CONDIÇÃO E AMBIENTE: inspecione o moitão antes do uso e consulte o fabricante para operações em temperaturas extremas ou em contato com agentes químicos.
Esses fatores devem ser analisados em conjunto. Escolher o maior modelo disponível, por exemplo, não garante a solução adequada: um moitão superdimensionado pode ser incompatível com o cabo utilizado, além de ser mais pesado e mais difícil de manusear.
Como a corda e o gancho entram nessa escolha?
A combinação de moitão e corda é fundamental para o desempenho e para a segurança do sistema. A polia precisa ser compatível com o tipo e o diâmetro da corda ou do cabo previsto. Para cabo de aço, o diâmetro da polia deve ser no mínimo 6 vezes o diâmetro do cabo, e o canal deve ser de 5% a 10% maior que o diâmetro nominal do cabo. Para corda de fibra, vale a recomendação do fabricante.
Quando essa compatibilidade não existe, o cabo sofre esforços para os quais não foi projetado: canal apertado ou polia pequena demais achatam o cabo, provocam rompimento de arames e reduzem sua vida útil. Por isso, o diâmetro de corda ou cabo indicado nas especificações do moitão é tão importante quanto a sua capacidade.
O gancho do moitão também merece atenção. A carga máxima útil (CMU) marcada no equipamento já considera o conjunto completo, incluindo o gancho, e ele só deve ser substituído por peça de especificação igual ou superior à original. Antes do uso, verifique se o gancho tem trava de segurança, se a ferragem giratória gira livremente à mão e se não há deformação, trinca ou desgaste. Verifique também se o ponto onde o moitão será preso suporta a força total que atuará sobre ele, que pode chegar ao dobro da tração na linha.
Em resumo, a escolha de um moitão de corda deve considerar o conjunto completo: moitão, corda ou cabo, gancho e ponto de fixação.
Quando buscar orientação técnica?
Em movimentação e elevação de cargas, pequenas mudanças na montagem, como o ângulo entre os ramos ou o número de ramos, alteram as forças que atuam sobre o moitão, o cabo e os pontos de fixação. Busque orientação de um fornecedor especializado principalmente quando:
- houver dúvida sobre a compatibilidade entre carga, cabo ou corda, diâmetro da polia e número de polias;
- a carga estiver próxima da CMU do moitão ou os ramos do cabo não estiverem paralelos;
- o sistema combinar vários moitões, cadernais e desvios;
- a operação envolver temperaturas extremas ou contato com agentes químicos;
- o moitão apresenta desgaste, deformação ou identificação ilegível, ou precisar de reparo.
Importante: moitões para movimentação de carga não devem ser usados para transportar pessoas.
A Acro Cabos de Aço trabalha com diferentes configurações de moitões, cadernais e acessórios para movimentação de cargas, com certificado conforme a ABNT NBR 10015. Para encontrar a configuração tecnicamente adequada à sua aplicação, fale com a equipe especializada da Acro.
